Gaius Marius

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Nota: Se procura o civilista brasileiro, consulte Caio Mário da Silva Pereira.
Busto de Caio Mário, na Glyptothek, em Munique

Caio Mário (Latim: C·MARIVS·C·F·C·N[1]) (Cereátas, Arpino, c. 157 a.C. - Roma, 13 de Janeiro de 86 a.C.) foi um político e general da República Romana.

De origem volsca, Mário não pertencia à aristocracia tradicional de Roma, a sua família provinha da região de Arpinum, onde detinha importantes negócios. Por este motivo, a sua progressão política na elitista República estava a princípio limitada. Mário fez no entanto o serviço militar durante a Terceira Guerra Púnica, onde participou no cerco de Numância. Ao fazer 30 anos, Mário entrou para o senado romano e cumpriu o seu mandato de tribuno da plebe em 119 a.C.. O seu percurso foi feito a pulso, perdendo várias eleições, visto que lhe faltava um apelido aristocrático que captasse os eleitores. Em 116 a.C., Mário consegue eleger-se pretor, embora com acusações de corrupção e suborno eleitoral, e no ano seguinte torna-se governador, com estatuto propretor, da província romana da Hispânia Ulterior. Este mandato ofereceu-lhe hipóteses de negócio que vão aumentar a sua fortuna consideravelmente.

Mário

De regresso a Roma, Mário consegue dar um importante passo em frente na hierarquia social de Roma ao casar com a patrícia Júlia Caesaris (tia de Júlio César). Talvez devido a este suporte familiar, Mário conseguiu uma nomeação como legado militar do ex-cônsul Quinto Cecílio Metelo Numídico na campanha da Numídia, que se saldou num sucesso. Esta sua vitória granjeou-lhe a fama necessária para ser eleito cônsul em 107 a.C. e no ano seguinte, foi ele próprio a encabeçar a expedição final contra o rei Jugurta da Numídia. É nesta altura que aparece a primeira evidência da relação de amizade com Lúcio Cornélio Sula. De regresso a Roma, Mário consegue um triunfo para celebrar os seus êxitos.

Mário nas ruínas de Cartago.

Entretanto, no Norte de Itália aparecia um perigo sem precedentes para Roma: uma confederação de tribos germânicas,compreendendo cimbros (os mais numerosos), teutões, marcomanos e tigurinos, com cerca de um milhão de pessoas aproximava-se dos Alpes com a clara intenção de invadir a Península Itálica.

Em 105 a.C., devido à inepta actuação dos comandantes romanos (o cônsul sénior, Cneu Málio Máximo e Quinto Servílio Cipião) o exército romano sofreu uma estrondosa derrota que quase aniquilou toda uma geração de homens. O pânico era generalizado e provocou a eleição de Mário em 104 a.C., considerado o único general capaz de lidar com a ameaça, para um segundo consulado, apesar de se encontrar ainda em África e de o primeiro ter sido há menos de 10 anos. Mário aceitou a nomeação mas impôs a condição de ver o seu mandato renovado até a ameaça ter desaparecido. Exigiu ainda carta branca para a reorganização do exército e criou a primeira legião romana profissional, integrando na legião os capite censi (o proletariado romano). Em 102 a.C., na batalha de Aquae Sextiae (Aix-en-Provence), derrotou a tribo dos teutões e no ano seguinte aniquilou os cimbros na batalha de Vercellae (Vercelas), pondo fim à ameaça germânica.

Charge de Mário em idade avançada.

Nos anos seguintes, Mário regressou à vida privada apesar de se manter um cidadão influente. Mas a ambição de novas vitórias esteve sempre presente e, 88 a.C., quando rebentou a Primeira Guerra Mitridática (contra Mitridates VI do Ponto), Mário ambicionou o comando. Desta vez, devido à idade e ao facto de ter já sofrido uma trombose que lhe paralisou o lado esquerdo do corpo, Mário falhou a nomeação. O general indicado para este comando foi Lúcio Cornélio Sula, seu antigo legado, que se tornou num alvo político a abater. Através do suborno de um tribuno da plebe, Mário legislou que o comando mitridático fosse removido de Sula e entregue a si próprio. Mas Sula tomou a espectacular decisão de recusar cumprir a directiva e em vez disso invadiu Roma com o seu exército. A cidade foi tomada à força e Mário teve de fugir para África com os seus colaboradores para evitar o assassinato. Sula abandonou Roma em direcção ao Oriente em 87 a.C., e Mário desembarcou na Etrúria retomando o controlo de Roma com Lúcio Cornélio Cinna, um dos seus aliados políticos de maior confiança. Juntos organizaram uma limpeza de todos os aliados de Sula, assassinando muita gente. Mário conseguiu ainda o tão ambicionado sétimo consulado (a 1 de Janeiro de 86 a.C,), apesar das suas capacidades físicas e mentais estarem obviamente perturbadas. Mas durante uma guerra de repressão por parte de Cinna para com os romanos que estavam pilhando e saqueando a cidade, Mário acabou morrendo, já estando completamente destruído pelos problemas físicos e mentais (cirrose, problemas com a bebida que criaram isto, depressão e complexos).

Legado

O legado de Mário na história da República Romana é ímpar. As suas reformas no exército deixaram as bases do exército profissional que haveria de servir Caio Júlio César nas suas conquistas e, mais tarde, na expansão do Império Romano. Do ponto de vista político, foi a cabeça da facção dos Populares e os sete consulados de Mário abriram um precedente político para a quebra das rigorosas regras eleitorais de Roma, que haveria de resultar numa sucessão de guerras civis e na queda da República em 27 a.C..

Ver também

Notas

  1.   Nome oficial depois de Gaius Marius, em português, Gaius Marius Gaii Filius Gaii Nepos, em português, "Caio Mário, filho de Caio, neto de Caio".
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